RIQUEZAS DA INJUSTIÇA?



A Bíblia responde:

"Como se explica a expressão 'Granjeai amigos com as riquezas da injustiça', da parábola do mordomo infiel, de Lucas 16.1-12?"
Esse versículo é sem dúvida, de difícil interpretação. Há pontos que não serão es­clarecidos antes que venha o Senhor pela segunda vez. É natural, que um livro como a Bíblia, escrita por inspiração, contenha coisas difíceis de compreender. O defei­to, contudo, não está no livro, mas em nos­so limitado entendimento. Se não aprendemos outra coisa nesta parábola, ao me­nos, sejamos humildes. Devemos possuir, antes de mais nada, muito cuidado, para não deduzirmos do versículo citado, dou­trinas e preceitos que ele não ensina.
Em primeiro lugar, queremos salientar que o nosso Senhor não se refere ao mordo­mo como um modelo de probidade; de ou­tro modo, não lhe teria dado o epíteto de "mau". Jesus nunca autorizou a falta de honradez no comércio humano. O mordo­mo de que tratamos enganou o seu senhor, e quebrou, assim, o oitavo mandamento. Seu amo ficou admirado da astúcia do seu servidor, quando lhe chegou ao conheci­mento o que lhe havia feito, e louvou-o pela sua sagacidade e previsão. Porém, isso nada prova que o seu proceder lhe agradasse, e, de fato, não há uma palavra que indique a aprovação do Senhor Jesus, pois, com o vocábulo "amo" ou "senhor", a parábola não denota o Senhor Jesus, mas o amo do malfeitor. De fato, sob o ponto de vista moral cristão, o modo como agiu o mordomo não pode, de forma alguma, ser imitado por nós.
A advertência feita nesse caso é muito necessária. A má fé nos negócios é, desgra­çadamente, muito comum em nossos dias. A honradez nos contratos é coisa rara. Em transações comerciais muitos praticam atos que a Bíblia condena. Milhares de pessoas há que, para depressa ficarem ri­cas, cometem faltas que ofendem a equida­de: Pv 28.28. A astúcia, a destreza em comprar, a habilidade e esperteza em ven­der e realizar negócios de toda natureza, fazem passar despercebidas coisas que se não deveriam permitir. A classe a que per­tencia o mordomo infiel é, contudo, nume­rosa.
Não nos esqueçamos disto: sempre que fizermos aos outros, aquilo que não deseja­mos que nos façam, podemos estar certos de que procedemos mal aos olhos de Cris­to. Observa-se a lição principal que se nos prodigaliza nesta parábola: é prudente estarmos prevenidos para qualquer contra­tempo.
O modo como se portou o mordomo in­fiel, quando soube que seria prejudicado seu futuro, foi, indubitavelmente, hábil e sagaz. O diminuir partes das contas do que devia ao seu senhor, era um ato de má fé, mas, sem dúvida, com ele adquiriu muitos amigos. Pervertido como era, não descurou o futuro. Desonestas como eram as providências que tomou, não deixava, contudo, o mau servidor de atender às suas próprias necessidades. Não cruzou os braços, nem deixou que a pobreza fechasse as portas de sua casa, porém meditou, raciocinou, fez seus cálculos e pô-los em execução, sem receio algum. O resultado viu-se: não ficou desamparado.
Que contraste surpreendente observa­mos entre o proceder do mordomo infiel em referência aos interesses temporais e a maior parte dos homens a respeito das questões espirituais! É sob este ponto de vista, unicamente, que o mordomo infiel nos dá exemplo que devemos imitar. Como ele, é mister que cuidemos do nosso porvir. Como ele, é necessário que nos previnamos para o dia em que deixarmos a morada ter­rena para entrarmos na celestial; como ele tem de construir "um edifício nos céus", onde fixaremos o nosso lugar, quando se desfizer o tabernáculo terrestre do nosso corpo: 2 Co 5.1. Realmente, é necessário empregar todos os meios válidos ao nosso alcance, para obtermos a morada celestial.
Sob este aspecto, a parábola é altamen­te instrutiva. A solicitude que os homens do mundo manifestam pelos interesses dessa vida, deverá provocar vergonha aos cristãos por sua frieza muitas vezes mani­festada para com as coisas eternas.
O zelo e a constância de que os homens negocistas dão provas, quando percorrem mar e terra para granjearem riquezas, são uma natural reprovação da indiferença e indolência que patenteiam muitos crentes a respeito dos tesouros celestiais. As pala­vras do Senhor são verdadeiramente profundas e solenes: "... os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz", Lc. 16.8.
Nosso Senhor nos ensina, com essas pa­lavras, a sermos escrupulosos, fiéis em tu­do, e nos previne a não pensarmos que o procedimento, em assuntos pecuniários, de conformidade com o mordomo infiel, seja coisa insignificante. Jesus quer que não nos esqueçamos de que o modo como o homem procede em relação ao "muito pou­co", dará uma prova de sua índole e que a injustiça "no muito pouco" é grave sinto­ma do mau estado em que se encontra o co­ração. Sem dúvida, não nos dá a entender, nem por sombra, que a honradez em ques­tões pecuniárias pode tornar justas as nos­sas almas ou purificá-las dos nossos peca­dos, porém, ensina-nos, clara e positiva­mente, que a má fé nas transações é sinal de que o coração não é reto aos olhos de Deus.
O ensino que o Senhor nos dá há de me­recer consideração muito séria nos tempos que correm. Parece que existem pessoas que se persuadem da possibilidade de di­vorciar a religião verdadeira da honradez comum, e que se alguém é ortodoxo na doutrina, pouco importa que na prática use a trapaça ou o engano. As palavras de nosso Mestre são, de fato, um protesto so­lene contra essa perniciosa idéia. Destarte, devemos velar para não cairmos em seme­lhante erro. Defendamos com energia as doutrinas gloriosas da salvação pela graça e da justificação pela fé, porém, longe de nós supor que a verdadeira religião autori­za, de alguma forma, o menosprezo da se­gunda tábua da Lei. Não nos esqueçamos, nem por momentos, de que a verdadeira fé se conhece por seus frutos. Estejamos cer­tos de que quem não é honrado, não possui a graça divina.
Por outro lado o leitor deve entender que essa parábola não foi dirigida aos escribas e fariseus, mas aos discípulos. Estes ouviram a lição que Jesus dera aos hipócri­tas, ouviram falar de um homem que malbaratou seu dinheiro e também de outro que havia empregado a má fé. Em sua pre­sença, tinha-se descrito com cores vivas o pecado da libertinagem; era coerente que se lhes oferecesse agora um quadro de uma falta menos chocante - a da fraude e enga­no.
Finalmente, podemos dizer ao leitor que três são, a nosso ver, as lições contidas nesta parábola:
• E prudente estarmos preparados para o futuro.
• É importante fazer bom uso do di­nheiro.
• Temos de ser fiéis, mesmo nas coisas menores.

APÓSTOLO PAULO, UM HOMEM IGUAL A NÓS


APÓSTOLO PAULO, UM HOMEM IGUAL A NÓS

Autoria de J. Oswald Sanders

Parece haver uma evidente falta de liderança forte, segura, carismática de que nossa época confusa necessita com tanta urgência. Um cidadão preocupado, perturbado pelas condições predominantes e pela incapacidade dos dirigentes de sua nação encontrarem uma panacéia para males, comentou:

A conjuntura crítica não encontrou senão atores de segunda categoria no palco político, e o momento decisivo foi negligenciado porque os corajosos eram deficientes em poder, e os poderosos deficientes em sagacidade, coragem e resolução.

Essas palavras soam como se proferidas em nossos dias, mas foram escritas há um século, por Friedrich Stiller. Será que as coisas mudaram de maneira essencial nos anos intervenientes? As palavras vívidas de nosso Senhor estão-se comprovando verdadeiras, e diagnosticam com precisão as condições atuais: “Sobre a terra angústia, entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas” (Lucas 21:25).

As condições mundiais terão piorado consideravelmente desde aquele tempo, mas seria muito apropriada a mesma avaliação da época atual. Cada geração tem de enfrentar e resolver seus próprios problemas de liderança, e hoje nos defrontamos com uma crise aguda de liderança em muitas esferas. É uma crise após outra; nossos líderes nos oferecem poucas soluções, e o prognóstico não é de maneira nenhuma tranqüilizador.

A Igreja não tem escapado a esta escassez de liderança competente. A voz que outrora soou uma clarinada de esperança à humanidade sitiada está agora estranhamente silente, e a influência da Igreja na comunidade mundial tornou-se mínima. O sal perdeu muito do seu sabor, e a luz o seu brilho.

O mero lamentar deste estado de coisas é contraproducente. Um tratamento mais construtivo seria descobrir de novo os princípios e fatores que inspiraram a dinâmica liderança espiritual de Paulo e de outros apóstolos nos dias serenos da Igreja, e esforçar-se por aplicá-los à nossa própria situação. Os princípios espirituais são permanentes – não mudam de geração para geração.

Um amigo observou: “Não é humilhante vermos nossas próprias faltas correndo de um lado para outro sobre duas perninhas? Quando vemos as faltas corporificadas em alguém, as nossas próprias se nos tornam dolorosamente óbvias. De igual maneira, podemos captar os princípios espirituais mais prontamente quando os vemos corporificados em alguém do que quando formulados como meras proposições acadêmicas.

É por isso que um dos mais recompensadores estudos da Bíblia é investigar a interação da divina providência e da personalidade humana nas vidas de homens e mulheres iguais a nós; e descobrir como as condições e experiências da vida anterior foram controladas e moldadas por mão habilidosa e beneficente.

Devemos ser gratos que a inspiração divina tem assegurado a preservação e seleção dos fatores providenciais envolvidos. Os fatos simples, sem retoques, foram registrados de uma maneira direta, sem nenhuma tentativa de retocar o quatro. A Bíblia é cuidadosa no retratar seus personagens como realmente foram, sem ocultar nenhum defeito.

É em nosso Senhor, e não em Paulo, que vemos o ideal de liderança, pois é ele o líder por excelência. Alguns há, porem, que acham a perfeição de Cristo  amedrontadora e um tanto desencorajadora. Pelo fato de ele não haver herdado natureza pecaminosa como nós, acham que isto lhe confere uma ampla vantagem, e o afasta da arena das lutas e fracassos terrenos na qual a maioria se encontra. Parece que ele está tão acima deles que não conseguem obter muita ajuda prática de seu exemplo brilhante. Embora esta perspectiva surja de uma concepção errônea da natureza da ajuda que Cristo pode oferecer, seus resultados são muito reais. 

No apóstolo Paulo Deus proporcionou o exemplo de um “homem semelhante a nós” (Tiago 5:17). Na verdade, ele era um homem de estatura dominante, mas era também um homem que conhecia o fracasso tão bem quanto o sucesso; um homem que clamava em desespero: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte”? Não obstante também exultava: “Graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor” (Romanos 7:24,25).

Essas e outras expressões do seu coração trazem-no para as nossas ruas, onde mais facilmente podemos identificar-nos com as experiências. Ele não foi um “santo inimitável”, mas um homem frágil, falível como nós, que fala às nossas necessidades.

Por isso, em Cristo temos a inspiração de um verdadeiro Homem que nunca falhou, enquanto, em Paulo temos o estímulo de um homem que caiu e se levantou. “Um homem perfeito revela o ideal; um homem derrotado e finalmente vitorioso revela o que, pela graça de Deus, podemos vir a ser... Precisamos de Jesus de um lado e Paulo do outro se quisermos andar em triunfo ao longo do difícil e perigoso caminho”.

Para que o estudo dos princípios de liderança de Paulo tenha proveito permanente, é preciso que seja mais do que acadêmico. Cada leitor, em sua própria vida e esfera de serviço, necessitará dominá-los e traduzi-los em ação. Os fatos devem tornar-se experiência.

Devemos ser gratos a Paulo pela inconsciente auto-revelação que caracteriza suas cartas. Aprendemos muito mais a respeito dele por meio de suas referências indiretas e espontâneas do que pelo material  histórico de Lucas no Livro de Atos. Em sua biografia de A.W. Tozer, D. J. Fant adotou o método de interpretar o homem por via de seus próprios escritos, métodos este que observarei nestes estudos.

Em Paulo encontramos um protótipo inspirador do que um homem totalmente confiados às mãos de Deus pode realizar em uma geração. Teremos como propósito vê-lo especialmente em seu papel de líder da igreja; considerar seus opiniões sobre assuntos pertinentes; examinar as qualidades que fizeram dele o homem que foi, e descobrir como esses traços contribuíram para sua extraordinária liderança.   
 
Translation

APOSTLE PAUL, A MAN LIKE US

Authored by J. Oswald Sanders

There seems to be an obvious lack of strong, safe and charismatic leadership that our confused time needs so urgently. A concerned citizen, disturbed by the prevailing conditions and the inability of the leaders of their nation to find a panacea for ills, commented:

"The critical juncture did not find but second-rate actors on the political stage, and the decisive moment was neglected because the courageous were deficient in power and the powerful deficient in wit, courage and resolution”.

These words sound as if made today, but were written a century ago by Friedrich Stiller. Have things changed in an essential way in the intervening years? The vivid words of our Lord are proving themselves true, and accurately diagnose the current conditions, "Upon the earth distress of nations, with perplexity, roaring of the sea and the waves" (Luke 21:25).

World conditions have worsened considerably since that time, but it would be very appropriate the same assessment of the current time. Each generation has to face and solve their own problems of leadership, and today we are faced with an acute crisis of leadership in many spheres. It's one crisis after another, our leaders offer us few solutions, and the prognosis is not at all reassuring.

The Church has not escaped this lack of competent leadership. The voice that once sounded a clarion of hope for humanity is now besieged strangely silent, and the influence of the Church in the world community has become minimal. The salt has lost much of its flavor, and the light its brightness.

The mere lament of this state of affairs is counterproductive. A more constructive treatment would be to discover new principles and factors that inspire the dynamic spiritual leadership of Paul and other apostles of the calm days of the Church, and we must endeavor to apply them to our own situation. The spiritual principles are permanent - do not change from generation to generation.

A friend remarked: "Is it not humbling to see our own faults running from side to side over two legs? When we see faults embodied in someone, our own faults become painfully obvious. Similarly, we can capture the spiritual principles more readily when we see them embodied in someone than when formulated as a mere academic proposition.

That's why one of the most rewarding Bible study is to investigate the interaction of the divine providence and human personality in the lives of men and women like us, and discover how the conditions and experiences of the previous life were controlled and shaped by skilful and charitable hands.

We should be thankful that the divine inspiration has ensured the preservation and providential selection of factors involved. The simple facts, unvarnished, were recorded in a straightforward manner, without any attempt to touch up the picture. The Bible is careful to portray its characters as they really were; it does not hide any defects.

It is in our Lord, not in Paul, we see the ideal of leadership because he is the leader par excellence. There are some, however, who think the perfection of Christ somewhat frightening and discouraging. Because he has not inherited sin nature as we, they think it gives them a wide margin, and keeps them away from the arena of struggles and failures the lands in which the majority is. It seems that he's above them so that they cannot get much practical help from his shining example. While this perception arises from a misconception of the nature of the help that Christ can give, its results are very real.

In the apostle Paul God gave the example of a "man like us" (James 5:17). In fact, he was a man of dominant stature, but he was also a man who knew the failure as well as success, a man who cried in despair, "O wretched man that I am! Who will deliver me from this body of death?” “Nevertheless he also exulted: "Thank God through Jesus Christ our Lord" (Romans 7:24,25).

These and other expressions of his heart bring him to our streets, where we can more easily identify with the experiences. He was not an "inimitable saint ", but a  frail and fallible man like us, who speaks to our needs.

So, in Christ we have the inspiration of a true Man who never failed, as in Paul we have the stimulus of a man who fell and got up. "A perfect man reveals the ideal, a man defeated and finally victorious reveals that, by God's grace, we might be ... We need Jesus on one side and Paul on the other if we are to walk in triumph over difficult and dangerous path. "

For the study of Paul’s leadership principles to have permanent advantage, it must be more than academic. Each reader in his own life and sphere of service, will need to master them and translate them into action. The facts must become experience.

We should be grateful to Paul by the unconscious self-revelation that characterizes his letters. We learn much more about him through his indirect and spontaneous references than by the historical material of Luke in the Book of Acts. In his biography of A.W. Tozer, D. J. Fant adopted the method of interpreting the man through his own writings; this method I will observe in these studies.

In Paul we find an inspiring prototype of what a man totally entrusted to the hands of God can accomplish in one generation. We aim to see him especially in his role as church leader; to consider his opinions on relevant issues; to  examine the qualities that made him the man he was, and to discover how these traits contributed to his extraordinary leadership.

É CRISTO INFERIOR AO PAI?

A Bíblia responde: 

"Se Jesus é Deus, como está escrito em João 14.28 por que o Pai é maior do que Ele?"
Esta aparente contradição não significa qualquer problema. A Bíblia afirma que Jesus é o verdadeiro Deus, na primeira epístola de João. E há muitas outras inferências e referências. Mas, também a Bíblia se refere expressamente às duas naturezas de Cristo: a humana e a divina. É no tocante à natureza humana que Jesus disse ser o Pai maior do que Ele. Graças a Deus pela plena harmonia das Escrituras.

(TRANSLATION)

IS CHRIST INFERIOR TO THE FATHER?
 

"If Jesus is God, as written in John 14:28, why is the Father greater than He?"
This apparent contradiction does not mean any problem. The Bible says that Jesus is the true God, in the First Epistle of John, and there are many other references and inferences. But, the Bible also expressly refers to two natures of Christ: the human and the divine. It is with regard to human nature that Jesus said the Father is greater than Him. Thank God for the harmony of the Scriptures.

FUNDO DUMA AGULHA


16 de abril de 2012
FUNDO DUMA AGULHA
"A expressão de Mateus 19.24 'fundo duma agulha' ou 'buraco duma agulha' é literal ou simbólica?"
A Bíblia responde: 
O contexto desse passo bíblico trata de um jovem rico que amava tanto as suas ri­quezas que elas lhe serviam de impedi­mento. A mensagem é clara. Os indivíduos de mentalidade materialista que conso­mem a vida procurando adquirir bens ma­teriais, só encontram satisfação nas rique­zas ou na busca delas; e somente em casos raríssimos é que chegam a se importarem com as questões espirituais para encontrar a vida eterna. Porém, seria um erro apli­carmos o texto somente aos ricos, porquan­to o materialismo tem realizado a sua de­vastação moral até mesmo entre os pobres. Ao falar sobre a impossibilidade desse tipo de pessoas entrarem no reino de Deus, Je­sus pregou a ilustração que é a impossibi­lidade de um "camelo passar pelo buraco de uma agulha". Alguns têm imaginado que o buraco de agulha referido fosse uma portinhola, no muro de Jerusalém, através do qual pudesse passar finalmente um ca­melo, depois de muitos puxões e empurrões; outros admitem que a expressão camelo, que no grego representa uma pequena mo­dificação de "Kamelos" para "Kamilos", trata de uma corda grossa ou um cabo, mas isso só diminuiu a impossibilidade do ato. Todavia, o grego de Mateus 19.24 e de Marcos 10.25 fala de uma agulha usada com linha, enquanto que o de Lucas 18.25 usa o termo médico que indicava uma agu­lha usada nas operações cirúrgicas. É evi­dente que ali não é considerada nenhuma portinhola, mas sim, o pequenino buraco de uma agulha de costura. Provavelmente era um provérbio incomum para ilustrar coisas impossíveis. O Talmude fala por duas vezes de um elefante para o qual é impossível passar pelo buraco de uma agu­lha. Por conseguinte, quem quer que ame as riquezas, a ponto de isso impedi-lo de confiar em Jesus Cristo como Salvador, es­tá na impossibilidade de ser salvo.
Em resposta à pergunta feita pelos dis­cípulos: "Então quem pode ser salvo?" Jesus respondeu: "Os impossíveis dos ho­mens são possíveis para Deus", Lc 18.27. Nessa frase, as palavras "dos" e "para" são uma só no original, cujo sentido literal é "ao lado". Tome-se o lado do homem, na questão das riquezas, e tornar-se-á impossí­vel a salvação. Porém, tome-se o lado de Deus sobre a questão e a impossibilidade anterior se transformará em possibilidade.

Um coração grato

16 de abril de 2012

Um coração grato

Autoria de Bill Crowder

"Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos". —Salmo 19:1

Quando eu era menino, meu herói era Davy Crockett, que vivera numa fronteira dos EUA. No livro David Crockett: His Life and Adventures (David Crockett: Sua Vida e Aventuras) Davy encontra uma linda visão que o faz entoar louvores ao Criador. O escritor descreve assim:

“Logo além do bosque havia outra extensão de pradaria sem árvores, tão rica, tão linda, tão brilhante de flores, que até mesmo o Coronel Crockett, não acostumado ao ânimo devocional, arreou seu cavalo e, olhando em transe para a paisagem, exclamou: ‘Ó Deus, que mundo de beleza fizeste para o homem!

Contudo, quão pouco ele te recompensa por isso! Ele nem mesmo te recompensa com gratidão.’” Crockett reconheceu que a obra das mãos do Criador exige uma reação de gratidão — uma reação frequentemente negligenciada ou ignorada.

O salmista escreveu: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Salmo 19:1). A obra das mãos de Deus é um espetáculo que, corretamente entendido, deve não somente tirar nosso fôlego, mas também inspirar-nos a adorar e louvar nosso Deus, como fez o salmista.
Davy Crockett tinha razão — encontrar as maravilhas da criação de Deus deve inspirar, no mínimo, um coração agradecido. Nós somos gratos?

A glória de Deus resplandece por meio da Sua criação.

(TRANSLATION)

A Heart Of Gratitude


My boyhood hero was American frontiersman Davy Crockett. In the book David Crockett: His Life and Adventures, Davy encounters a beautiful sight that causes him to launch into praise to the Creator. The writer describes it this way:

“Just beyond the grove there was another expanse of treeless prairie, so rich, so beautiful, so brilliant with flowers, that even Colonel Crockett, all unaccustomed as he was to the devotional mood, reined in his horse, and gazing entranced upon the landscape, exclaimed, ‘O God, what a world of beauty hast Thou made for man!

And yet how poorly does he requite Thee for it! He does not even repay Thee with gratitude.’” Crockett recognized that the Creator’s handiwork demands a response of thankfulness—a response that is often neglected or ignored.

The psalmist wrote, “The heavens declare the glory of God; and the firmament shows His handiwork” (Ps. 19:1). God’s handiwork is a spectacle that, rightly understood, should not only take our breath away but should inspire us to worship and praise our God as it did the psalmist.
Davy Crockett was right—encountering the wonders of God’s creation should inspire, at the least, a heart of gratitude. Are we grateful?
Across the expanse God stretched out His creation—
Established the stars, gave the earth its foundation;
His strength claims our worship, His power our fear;
Yet Calvary’s cross sets us free to draw near. —Gustafson
God’s glory shines through His creation.

QUEM APARECEU A SAUL EM 1º SAMUEL 28:7-25?

A Bíblia responde

Preliminarmente, ressaltamos, que o capítulo 28 de 1 Samuel, a começar do seu versículo 7 até o 25, foi escrito por uma tes­temunha ocular; logo, por um dos servos de Saul que o acompanhou à necromante: vv.7,8. Freqüentemente, esses servos eram estrangeiros e quase sempre supersticiosos, crentes no erro - razão por que o seu estilo é tão convincente. Esta crônica que é parte da história de Israel, pela determinação di­vina, entrou no Cânon assim como os dis­cursos dos amigos de Jó (42.7), as afirma­ções do autor de "debaixo do sol" (Ec 3.19) e a fala da mulher de Tecoa (2 Sm 12.2-21), que são palavras e conceitos mera­mente humanos. A confusão gerada pelo assunto exposto no texto é porque foi ana­lisado o ponto de vista do servo de Saul. Todavia, sobre a questão se Samuel falou ou não com Saul, a Bíblia é bem clara e tem argumentos definidos para desmentir todas e quaisquer afirmações hipotéticas e asseverações parapsicológicas a seu respei­to. Examinaremos alguns desses argumen­tos e veremos a impossibilidade de ter sido Samuel a pessoa com quem falou Saul:1
1.  Argumento gramatical (v.6): "... o Senhor... não lhe respondeu". O verbo hebraico é completo e categórico. Na con­dição que Saul estava, Deus não lhe responderia e não lhe respondeu. O fato é con­firmado pela frase: "... Saul... interrogara e consultara uma necromante e não ao Se­nhor...", 1 Cr 10.13,14.
2.  Argumento exegético: v.6. Nem por Urim - revelação sacerdotal (w.14,18), nem por sonhos - revelação pessoal, nem por profetas - revelação inspiracional da parte de Deus. Fosse Samuel o veículo transmissor, seria o próprio Deus respondendo, pois Samuel não podia falar senão por inspiração. E, se não foi o Senhor, não foi Samuel.
3.  Argumento ontológico. Deus se iden­tifica como Deus dos vivos: de Abraão, de Isaque, de Jacó: Êx 3.15; Mt 22.32. Ne­nhum deles perdeu a sua personalidade e sua integridade. Seria Samuel o único a poluir-se, contra a natureza do seu ser, contra Deus e contra a doutrina que ele mesmo pregara (1 Sm 15.23), quando em vida nunca o fez? Impossível.
4.  Argumento escatológico. O pecado de Samuel tomar-se-ia mais grave ainda, por ter ele estado no "seio de Abraão", ten­do recebido uma revelação superior e co­nhecimento mais exato das coisas encober­tas, e não tê-las considerado, nem obedeci­do às ordens de Deus: Lc 16.27-31. Mas Sa­muel nunca desobedeceu a Deus: 1 Sm 12.3,4.
5.  Argumento doutrinário. Consultar os "espíritos familiares" é condenado pela Bíblia inteira. Logo, aceitando a profecia do pseudo-Samuel, cria-se uma nova dou­trina, que é a revelação divina mediante pessoas ímpias e polutas. E, além disso, para serem aceitas as afirmações proféti­cas como verdades divinas, é necessário que sejam de absoluta precisão; o que não acontece no caso presente.
6.  Argumento profético: Dt 18.22. As profecias devem ser julgadas: 1 Co 14.29. E essas do pseudo-Samuel não resistem ao exame. São ambíguas, imprecisas e infun­dadas. Vejamos: a) Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus (1 Sm 28.19), mas se suicidou (1 Sm 31.4) e veio parar nas mãos dos homens de Jabes-Gileade: 1 Sm 31.11,13. Infelizmente, o pseudo-Samuel não podia prever este detalhe; b) não morreram todos os filhos de Saul ("... tu e teus filhos", 1 Sm 28.19) como insinua essa ou­tra profecia obscura. Ficaram vivos pelo menos três filhos de Saul: Isbosete (2 Sm 2.8-10), Armoni e Mefibosete: 2 Sm 21.8. Apenas três morreram, como anotam clara e objetivamente as passagens seguintes: 1 Sm 31.26 e 1 Cr 10.2-6; c) Saul não morreu no dia seguinte ("... amanhã... estareis co­migo", 1 Sm 28.19). Esta é uma profecia do tipo délfico, ambígua. Saul morreu cer­ca de dezoito dias depois: 1 Sm 30.1,10,13,17; 2 Sm 1.13. Afirmar que a pa­lavra hebraica "mahar" (amanhã), aqui, é de sentido indefinido, é torcer o hebraico e a sua exegese, pois todos vão morrer mes­mo, em "algum dia" no futuro, isto não é novidade; d) Saul não foi para o mesmo lugar que Samuel ("... estareis comigo", 1 Sm 28.19). Outra profecia inverossímil: interpretar o "comigo" por simples "além" (Sheol), é tergiversar. Samuel estava no "seio de Abraão", sentia isso e sabia a diferença que existe entre um salvo e um per­dido. Jesus também o sabia, e não disse ao ladrão que estava na cruz: "Hoje estarás comigo no além (Sheol)", mas sim no "Paraíso". Logo, Samuel não podia ter dito a Saul que este estaria no mesmo lugar que ele: no "seio de Abraão". Porque com o ato abominável e reprovado de Saul em con­sultar uma feiticeira e não ao Senhor, foi completamente anulada a sua possibilida­de de ir para o mesmo lugar de Samuel - o "seio de Abraão".
Ainda notamos este absurdo, analisan­do a palavra "médium" (heb), que é traduzida em outras versões por "espírito adivinhador" ou "espírito familiar" e no texto grego (LXX) por "engastrimuthos", que significa ventríloquo, isto é, um de fala diferente, palavra que indica a espécie de pessoa usada por um desses espíritos.
Assim concluímos que:
• Não foi Samuel quem apareceu e fa­lou com Saul, mas sim um espírito de­moníaco.
• Nenhum morto por invocação huma­na pode aparecer ou falar com alguém, e quanto mais Samuel.
• Todas as predições do pseudo-Samuel estavam deturpadas. Nada se cumpriu. Isto é um verdadeiro contra-senso, visto que, Samuel quando em vida, "nenhuma só das suas palavras caiu por terra". 1 Sm 3.19.
• Quem pratica tais coisas, a saber, in­voca os mortos, consulta necromantes, es­tá sendo logrado pelas artimanhas de Satanás.
• Deus é Deus dos vivos e não dos mor­tos: Mt 22.32. Assim, aqueles que invocam os mortos estão indo de encontro a essa lei básica e bíblica.
• Não existe, portanto, neste trecho ne­nhuma similaridade ou abertura para supostos fundamentos de doutrinas heréti­cas. Ademais, todos esses argumentos pro­vam categoricamente a impossibilidade de tais pensamentos. A Bíblia é a verdade.

O QUE É PREDESTINAÇÃO?

A Bíblia responde:

"Na sua onisciência, Deus predestina­ria um número exato de pessoas para ser condenado e outro para descansar eternamente? Teria cada homem seu destino traçado?"
Acreditamos que Deus, na sua onis­ciência, por meio de leis científicas e matemáticas, sabe quantos vão vencer a bata­lha da fé e terminar triunfantes na eterna glória, porém, isso nada tem a ver com a predestinação fatalista: Jo 17.5.
No que tange à predestinação, ela se baseia, em essência, no "conhecimento anterior" de Deus, no sentido de que o seu "amor eterno" e preocupação e interesse pelos crentes é que está em foco. Aqueles sobre quem fixou seu coração de antemão, portanto, são aqueles que se tornaram o alvo de seu decreto determinador.
Esse decreto determinador não é um mero pronunciamento judicial, mas é, sem dúvida, acompanhado por um poder orien­tador e criador, através do Espírito Santo, que garante o cumprimento do propósito de Deus.
O grande alvo da predestinação é a chamada dos crentes dentro do tempo, e o resultado de ambas as coisas é a transfor­mação do crente segundo a imagem de Cristo, tanto moral (no que tange à partici­pação do crente na própria santidade de Deus, tal como Cristo dela participa), como metafísica (no que convence a natu­reza essencial de Cristo).
Não existe, portanto, predestinação para a condenação. Por exemplo: O caso do endurecimento do coração de Faraó, por dez vezes consecutivas, a Bíblia diz que ele mesmo se endureceu contra a ordem de Deus (Êx 7.13; 8.15,19,32; 9.7,34,35; 13.15; 14.22), e dez vezes lemos que Deus o endu­receu: Êx 4.21; 7.3; 9.12; 10.20,27; 11.10; 14.4,8,17.
Theodoret assim explica o caso: "O sol, pelo seu calor, torna a cera mole e o barro duro, endurecendo um, amolecendo outro, produzindo pela mesma ação resultados contrários. Assim a longanimidade de Deus faz bem a alguns e mal a outros; al­guns são amolecidos e outros endurecidos". Contudo, cremos que esse amolecimento ou esse endurecimento vêm daquilo que o homem apresenta a Deus: um coração contrito, ou orgulhoso.
Deus não endurece o coração de um in­divíduo, necessariamente com uma inter­venção sobrenatural; o endurecimento pode ser produzido pelas experiências nor­mais da vida, operando através dos princí­pios e do caráter da natureza humana, que são determinados por Ele. Esta verdade é profundamente hebraica. Um exemplo se­melhante desta forma hebraica de pensa­mento encontra-se em Marcos 4.12, onde Jesus apresenta sua razão para ensinar a verdade sob a forma de parábola.   -
Em outras palavras, apesar de a Bíblia declarar que Deus predestina para a vida, para a transformação segundo a imagem de Cristo e para a santidade, isso não quer dizer que Ele predestine algumas pessoas para a condenação conforme os teólogos calvinistas mais radicais têm imaginado. Deus predestina segundo a sua presciência: 1 Pe 1.2.
As Escrituras denominam tão-somente os crentes de eleitos, chamados, escolhidos e predestinados, mas sempre relacionados com a sua posição em Cristo, como as varas na videira. "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo", 2 Co 5.17; "Todo aquele que crer em Jesus, e pela fé permanece nele tem a vida eterna e não entrará em condenação", Jo 15; Rm 8.28-30.
O fatalismo e a predestinação absoluta nunca fizeram parte da doutrina e tradição apostólica, e são comuns às seitas heréti­cas que se consideram favoritas da divin­dade e responsáveis pelo desinteresse, frus­tração e miséria de muitos indivíduos, po­vos e igrejas.
Analisando a idéia do destino na lin­guagem popular, vemos que significa uma forma sobrenatural, indomável e irresistí­vel, da qual não podemos fugir e que limita a nossa liberdade e vontade.
Por ser uma maneira muito cômoda de pensar e de agir, é ela perfilhada por várias religiões e filosofias (fatalismo) e até por confissões religiosas (predestinação abso­luta), mas sem base no ensino das Sagra­das Escrituras.
Desde épocas imemoriais o homem tem tido o hábito de acumular na lembrança, através da sua agitada existência, peque­nos fracassos, desventuras e fatalidades, e com elas construiu um monstro a que deu o nome de "destino", que compreende como uma determinação imutável, esquecendo as inúmeras bênçãos, vantagens e vitórias alcançadas sobre a adversidade.
Sendo o destino o fim para que tende qualquer ação, o lugar a que se dirige a pessoa ou objetivo em causa, está ele sujei­to às leis espirituais e materiais que regem o universo.
Assim, a vida é composta de bons e maus sucessos, em conformidade com o tempo, o local, o ambiente, a experiência e a atitude do indivíduo em relação a esses elementos. Cada homem tem, pois, que procurar, na prática de uma boa consciên­cia, o caminho da verdade e do dever, se­jam quais forem as conseqüências da sua determinação.
Está escrito na Bíblia que só Deus é realmente bom, não pode ser melhor do que é visto ser a personificação do Amor: Lc 18.19; 1 Jo 4.8. Como pessoa livre, per­feita e justa, criou o homem à sua imagem e tornou-se o alvo de toda a dedicação: Gn 1.26,27; SI 8. Como podia Deus fazer acep­ção dentre as suas criaturas e determinar-lhes destinos diferentes, senão aqueles que eles próprios como seres livres e feitos a se­melhança da mesma divindade, desejarem de "motu próprio" trilhar? Rm 2.11-16; 10.12-17.
Deus não apenas seria imperfeito, mas também a encarnação da matéria e malda­de, se nos induzisse a acreditar no Evangelho para nossa salvação, quando afinal já determinara que nos havíamos de perder ou salvar.
Portanto, nenhum homem, grupo ou organização tem privilégios diante de Deus, a não ser aquele que aceita Jesus como Senhor e Salvador de sua vida. Porque Deus não faz acep­ção de pessoas, e muito menos predetermi­na, para certos grupos, um juízo, um desti­no cruel na eternidade. Sobre o assunto a Bíblia diz: "Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu ca­minho, e viva: convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que razão morrereis?" Ez 33.11a; "Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais", Jr 29.11.